sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Não consegui me segurar e dei minha opinião...

 Que tempos difíceis, principalmente nessa campanha de eleição que está ocorrendo no Brasil. Eu me sinto, como muita gente se sente, àquelas pessoas que se lembram da aula de história no ensino médio, aflita. Eu nunca fui muito boa de história e minha memória é fraquíssima para lembrar corretamente dos fatos, mas de uma coisa eu consigo me lembrar bem: do sofrimento. De todo o sofrimento dessas pessoas que sofreram nas salas de tortura para que o nosso país finalmente passasse ser democrático. Isso me pegou e me marcou, como se eu mesma tivesse passado por isso, como uma memória de uma vida passada que retorna e percorre todo o meu corpo, é uma coisa inexplicável, essa minha capacidade de estar no lugar do outro e, como eu acredito em vidas passadas, devo ter passado por essa experiência também.

Quando eu era adolescente, três filmes me marcaram: o brasileiro Olga e os estrangeiros O pianista e O menino do pijama listrado. Houveram outros, mas esses me atravessaram profundamente. Justamente por contar as histórias da época do Nazismo. Eu não sei bem quem originou esse pensamento de merda, mas entendo que começou com a ideia da Eugenia, de uma raça pura, de uma busca equivocada pra se mostrar por A mais B a superioridade de uns sobre os outros. Ou seja, poder. Uma busca de legitimidade.

O meu querido cônjuge é bem diferente de mim, ele tem outra criação e vem de outra realidade, uma realidade chilena. A ditadura lá foi diferente da do Brasil, segundo a opinião dele, os militares deixaram o poder assim que estabilizaram o país, não ficaram sentados no trono pra sempre. A realidade da família dele é militar, seu avó e seu pai foram militares. E segundo ele. os militares ajudavam nas necessidades da população. Mas aí a gente tem a versão dos que foram perseguidos também, e que foram exilados, como Pablo Neruda. Tudo porque o fantasma do comunismo iria chegar... Esse movimento foi totalmente aniquilado e não funcionou como tal, e na minha opinião não funcionou porque as pessoas deixaram o poder subir às suas cabeças e se tornaram autoritários. Enquanto a população sofria, os líderes acumulavam as riquezas para si. Não vejo muita diferença para os dias de hoje. Aliás nem existe.

A China tem um grande controle da população através das câmeras e tecnologias, os EUA querem o mesmo, através dos sistemas de vigilância que estão invadindo a privacidade das pessoas e sendo usados para fins pessoais ao invés de resolver crimes. Enfim, criam nomes para dividir em vez de todos trabalharmos juntos para um mundo melhor, pois todos queremos as mesmas coisas: moradia, comida, trabalho, saneamento básico, saúde, educação e lazer. É só disso que a gente precisa! As demais coisas são causadas por problemas de caráter mesmo. Por isso tenho que adicionar segurança e justiça na minha lista, que eu quase esqueço.

Não sou tão ingênua de pensar que somente com a votação todos os problemas irão desaparecer. Mas a gente continua tentando, as gerações de hoje já estão melhor do que no passado. A gente já está mais tecnológico, só que as pessoas continuam investindo no consumo, em vez de investir em projetos que não destroem o planeta e envenenam a população. Todo mundo tá cansado, ninguém tem mais tempo para aproveitar sua família, estamos numa realidade que preferimos nos anestesiar. Mas não é fácil viver em sociedade, mesmo que um ou outro ganhe o povo tem que continuar indo às ruas implorar que não retirem os direitos que já conquistamos. O sonho que nos foi vendido de futuro, era um futuro com muito mais tempo de qualidade do que o que temos. 

Somos uma espécie capaz de criar e, a cada dia que passa, a frase que eu escutei da minha professora na 4a série, faz ainda mais sentido: a destruição do homem é o próprio homem. E nada tem me convencido do contrário. As pessoas que chamamos indígenas são as pessoas mais evoluídas que já existiram. Conseguem produzir aquilo que necessitam sem poluir. Obviamente terminaremos como eles, se não pararmos os meios de produção. Os recursos são finitos, sempre soubemos disso. Agora a mãe natureza tá aí ensinando da forma mais dura, o que ninguém quis ouvir. Os ambientalistas não são cientistas loucos. 

Assim que nomenclaturas, são só nomenclaturas, que podem ser mudadas com o tempo. No meu caso vou seguindo o que eu sinto, analisando o que eu escuto e vendo como ressoa dentro de mim. Me importo mais com as pessoas virtuosas, que realmente são honestas e boas quando não tem ninguém olhando. Que mesmo tendo o lado negativo dentro de si, refletem sobre si e decidem fazer o bem. Pois sempre haverá dentro de nós esse desejo de se "dar bem". Ninguém possui a verdade completa, mas se for do destino e as pessoas precisarem andar pra trás pra entender o significado de algumas coisas, que seja, mas a pandemia não ensinou ninguém, o que significa que a próxima lição pode ser ainda pior. E vai ser. O império americano está acabando, mais guerras e conflitos estão crescendo, a Palestina praticamente apagada do mapa, e ninguém! ninguém fez nada! Nenhum país! Assim que meus amigos aprendam com isso. É cada um por si.

Lembrem-se do Deus de Sodoma e Gomorra, exatamente as mesmas condições para punir toda a terra, com esse massacre da Palestina. Todos com rabo preso, vendo algo que deveria ser inconcebível! Deus mandou o filho dele pra ensinar e muitos não aprenderam nada! E no fim, quem sabe nem eu. Sinto muito para as pessoas, que como eu, ficam matutando demais. Eu não poderia ser diferente, mesmo se os conceitos de direita e esquerda estivessem ao revés, eu sempre seguiria meu coração e me preocuparia com o bem estar de todos, e sempre votaria por aquele que defende os fracos e oprimidos, porque eu sempre soube, que eu jamais serei completamente feliz enquanto o mundo inteiro não puder ser feliz também, enquanto todos não puderem ter melhores condições de vida. E eu sei que isso pode ser um pensamento ingênuo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O que é que eu fiz com o que fizeram de mim?

Elas andam de trás pra frente e de forma cada vez mais diferentes e divergentes de todas as outras formas de ser de estar, quererem ser vistas, quererem ser percebidas das formas mais simples que antes e mais atentas que sempre. Caminham junto à humanidade por caminhos que eu não posso mesmo definir. algumas se perderam pelo caminho, outras se deixam estar cômodas com o sistema como está, se deixam dormir dentro de si mesmas e resolvem a esperar pelo fim que chega para todos de qualquer maneira. Outras tantas resolvem lutar para melhorar as coisas para as demais, imaginam uma realidade que outras não conseguem ver, se despertaram do sono e da apatia e resolveram ser algo impressionante, mesmo que o tempo tratara de apagá-las de tudo.

O feminino também ajudou a criar a humanidade, não foi somente o masculino. Todas as gerações antes de mim, e depois de mim continuarão nessa luta. Quando olho para o meu passado, vejo os mesmos questionamentos que tenho agora: por que as pessoas em condição de melhorar a vida dos demais não o faziam? Por que os políticos da minha cidade não executavam coisas que trariam o bem para a toda a cidade, em vez de ficar falando do candidato adversário? Por que as pessoas sempre estavam esperando um salvador que nunca chegava? Por que as meninas tinham somente como ambição encontrar um companheiro? Por que na minha família os homens tinham mais privilégios que as mulheres? 
Eu passava muito tempo capitando e tentando fazer sentido de como a vida funcionava, por conta disso levei a fama de despistada, sofria bulling na escola, e ninguém parecia entender como eu pensava. A cada coisa criativa que eu fazia, recebia o apodo de abestada. Dançar sem música, escrever minhas angústias de criança num velho diário, a busca pelo amor e pela aceitação dos demais. Eu não entendia, como as pessoas não entendiam a lingua que eu falava? Me tornei mais calada e comecei a imaginar um mundo aonde eu pudesse aguentar tudo. Um mundo perfeito aonde minhas ideias cresciam e ajudava o tempo passar mais depressa. 

Eu lembro como as pessoas eram rígidas, eu lembro como todos somente se preocupavam em se sustentar e eu lembro das mulheres que tiveram um filho atrás do outro, sem tempo para recuperar os hormônios que desaparecem durante a gestação, coisa que somente agora temos o conhecimento que existe, como a depressão pós-parto. A dor de perder os filhos que não vingavam. Mulheres endurecidas pela vida, para conseguirem sobreviver, em um mundo que se tinha que manter o marido, aguentar as infidelidades e mesmo assim seguir pelo "bem" dos seus filhos. Não havia direito, não havia saída. Somente endurecer-se com a dor de tudo. O bem dos filhos era a comida na mesa, café com farinha muitas vezes, desde crianças pequenas. Ninguém sabia de nada, ninguém se importava com as mulheres. "Elas somente trazem filhos ao mundo", "elas cuidam dos filhos", "isso é coisa de mulherzinha". Elas criaram toda a humanidade! Eu conseguia ver tudo isso, e sempre me perguntava o porquê de ninguém mais enxergar o que eu via. Era tão óbvio!

Não posso dizer que não repeti preconceitos, todos os dias eu tenho que quebrar uma crença interior minha. O universo se encarregou de me mostrar, que não temos controle de nada e o quão inocente eu era. A duras penas aprendi que não existe salvador, muito menos príncipe encantado; que o amor é uma escolha e se constrói dia a dia e, mesmo assim, ele também não vai te salvar. Você se salva. Todas as vezes que eu não podia mais, eu pude mesmo assim. Com lágrimas nos olhos, uma e outra vez recomeçando. Mesmo com o coração partido. Partido por esperar demais dos outros que não poderiam dar aquilo que não tem. Partido por oferecer tudo de mim, e não sobrar nada. Até que eu aprendi, a não oferecer tudo. Somente o suficiente, pois cada um só pode salvar a si mesmo. Não se pode fazer pelo outro, mas você pode ajudar se sua ajuda for pedida. Nesse meio tempo aprendi a ser só. A resolver tudo, mesmo que fosse cansativo. Aprender nas condições mais desconfortáveis. E posso dizer que cheguei na minha versão mais cansada. E todos os meus planos sempre foram mudados. Pareceu que eu escolhi o caminho fácil. Ledo engano.
 
O sonho de formar uma família e deixar tudo por amor, se provou o mais difícil. Assim que. ressurgir dessas cinzas, desses picados, por incrível que pareça, inteira. Mesmo com todas as dificuldades, e da maneira mais improvável, pude ser quem realmente sou. Perdi meus medos? Não, ainda tenho medo de muitas coisas, ainda me considero fraca e penso simplesmente em sumir. Mas ainda estou aqui. Mesmo sem saber o que eu tô fazendo, ainda tô respirando e imaginando meu mundo interior. E sinto que a vida também me endureceu, apesar de ainda chorar admirando a arte e a caridade que resta desse mundo. 

sábado, 10 de outubro de 2026

Um dia que a cabeça tava pensando demais...

O que as coisas mais magnificas significam para ti? Por que todo esse tempo você não tem visto o que está bem na sua frente?

Os momentos mais simples passam despercebidos e você, de repente, parece ignorar o que os sonhos querem dizer. 

 

Por que é tão difícil desfrutar a felicidade? Estamos sempre buscando a próxima coisa que nos trará algo novo. Não conseguimos nos contentar com as coisas que já alcançamos. Será que as pessoas gostam mesmo da gente ou somente é a nossa imaginação? Às vezes quero chorar de fome, mas eu não passo fome de verdade, somente minha alma que anseia algo mais da vida. E o que é a vida? O que ela tem para nos dá além da sobrevivência? Transformamos o mundo em um total inferno em vez de fazer dele um paraíso, aonde todos podem ter dignidade e seguir vivendo e criando sua própria felicidade.


Crescemos tanto que o sonho ficou pra trás. É difícil construir um mundo assim, pois somos bem diferentes uns dos outros. Ninguém é capaz de concordar com tudo, cada um é um ser diferente. Alguns não vão querer aderir ao plano de mundo melhor, dá muito trabalho. Estamos nesse trabalho desde o início dos tempos. 


Mas não estamos trabalhando todos juntos nisso, alguns admiram o trabalho de outros do topo. Simplesmente, porque se sentem melhores que os demais. E aí começa todo esse ciclo de luta pelo poder. Cada pessoa tem um talento, todos os talentos são importantes. Até aqueles que não tem um talento a simples vista, também podem ajudar aos demais. Está faltando que o mundo inteiro seja capaz de reconhecer isso. 


Gosto de imaginar que essa fantasia vai ser possível através da educação. Todos merecem ter acesso a ela, para chegar a esse nível de entendimento. Claro que existirão aqueles que vão desistir pelo caminho, pois essas pessoas tem o talento de tornar realidade o que as pessoas com imaginação constroem em suas cabeças, ou seja, construindo na realidade. Tudo o que temos hoje foi construído graças ao trabalho físico de muitos, que seguiam e executavam as ideias.


Não preciso fazer uma pesquisa sobre isso. Isso é um fato que todos nós conseguimos ver e tocar, nos espaços que habitamos e convivemos. Tornamos tudo bem complicado quando esses talentos não são, ou não foram reconhecidos. Todos queremos ter o reconhecimento: com palavras e ações. Isso é o que eu tiro da minha experiencia humana, queremos o reconhecimento. Todos executamos um trabalho, todas as ações humanas são um tipo de trabalho. Um chefe dizer que você contribui para a empresa e, ao mesmo tempo, não aumenta o seu salário, não pode ser considerado um reconhecimento de fato. A maioria dos chefes pensa que falando do bom trabalho já é suficiente, porém só seria suficiente se a gente não vivesse numa sociedade que presa pelo dinheiro.


Com o avanço das inteligências artificiais, parece que essa ideia de mundo chegará. Um mundo que não gire em torno do dinheiro, mas em torno daquilo que você contribui com a sociedade. As pessoas ricas gostam de dizer que ninguém gosta de trabalhar, mas isso é uma mentira. Todas as ações humanas são trabalho. As pessoas não aguentariam ficar sem trabalhar. Por isso foi criada a economia, o dinheiro, pra servir de troca e recompensa pelo esforço realizado para construir a civilização que temos hoje.


Tudo desandou quando nos tornamos grandes demais, com conflitos grandes demais, com ideias e divisão do trabalho que já não eram claras. Quando os representantes começaram a se considerar deuses, acima do bem e do mal, e claro, o crescimento da arrogância e do poder. Como tudo isso deveria ter sido organizado? Através da educação, das conversas comunitárias. A humanidade e a sociedade precisam de um plano a ser seguido, daí surge a politica. A escola organiza os aprendizados e a politica traça um plano, que deverá ser executado, fiscalizado e distribuído para todos. Aí a gente volta um pouco pra alguma parte desse texto, aonde eu falo que cada pessoa é diferente, a gente quer chegar a algum lugar, mas como chegar lá juntos é complicado, pois cada um tem uma ideia de como se deve fazer isso, outros se deixam levar por seus próprios interesses. Isso cria várias bolhas de divergências. Quando deveríamos só estar construindo tudo junto pra ser melhor pra todo mundo! 


Isso faz minha cabeça sair fumaça de tanto pensar. Já chegamos em um momento da existência que já usamos muitos recursos e temos um nível de tecnologia muito bom. Agora seria um bom momento para descansar e enfocar somente na manutenção desse sistema, o que é bem conservador da minha parte, apesar de ser de pensamento esquerdista. A própria contradição dentro de mim mesma. Como não seria contraditório no mundo inteiro? Sempre temos dois lados dentro de nós. O importante é a gente sempre tá se checando, checar nossos pensamentos, nas coisas que a gente acredita, aonde está o nosso limite. Para mim, eu quero que as pessoas vivam vidas melhores e possam ser o que elas são de melhor.


Temos que fazer a nossa parte. E ensinar a importância de cada um pra toda a vida. Todos somos importantes. Os que pensam que não são, eles podem ser importantes mesmo assim, quando ajudam aos demais. E ainda tem muitos outros fatores internos e mais complexos, que eu não tenho a capacidade de englobar na minha mente: o aprendizado que cada pessoa tem que ter, o que nos faz amadurecer e mudar. Quem sabe isso faça algum sentido pra alguém em algum momento.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Deveria dormir mas...

Minha cabeça que não para de fazer planejamento de coisas que não tem fim. Quão grande deve ser o castigo? Nisso que eu tô pensando agora. Consegui bloquear o telefone dela para conseguir mandar mensagem só para os pais. E bloquear todos os outros aplicativos. Estava pensando em cancelar a celebração do aniversário do jeito que ela tinha imaginado. E fazer só um bolinho aqui em casa mesmo. Ou posso deixar ela sem telefone até o aniversário dela. 

Esses guris têm tantos grupos e fofocam tanto! Que fica difícil deixar que os boatos cresçam ainda mais. Na minha época não era tão rápido assim, porque não dava pra falar no telefone principal da casa as coisas sensíveis, eu tinha que esperar chegar na escola ou ir até a casa da pessoa pra saber. Mas como eu era só escola, casa e igreja, era difícil eu visitar alguém. Assim que restava a escola e a igreja, mesmo morando no interior eu não podia pôr meus pés na praça, sem ser com algum adulto responsável. Na época eu achava o "ó", mas agora que sou mãe eu entendo, que era mesmo necessário.

Com todos esses casos de pedofilia e tráfico de crianças, eu me lembrei que quando eu era criança tinha um carro preto que passava levando crianças na minha cidade, como eu era pequena na época, eu pensava que era só uma história pra gente obedecer e ficar quieto. Agora que consigo refletir sobre isso, com certeza isso aconteceu e era verdade. E me faz pensar que inclusive a história do "homem do saco". Hoje a gente tem a informação mesmo, ao invés das lendas criadas, pois quem conta um conto aumenta um ponto, justamente como aconteceu com o drama da 8a série. O tempo realmente voa.

Se eu já era medrosa, apesar de fazer as coisas com medo mesmo, agora eu fiquei mais. Apesar de ter parado do outro lado do mundo, posso afirmar que fiz jus ao apelido de louca e bruxa. Nem sei se minhas atitudes eram mesmo tão revolucionárias assim. Eu só queria alcançar uma espécie de equilíbrio, eu acho. Ou só ser compreendida. O senso de justiça ainda tenho, e acho que não mudei tanto assim. Mesmo com meu jeito de ser, consegui sobreviver muita coisa. Acho que minha filha vai conseguir também. Tenho que ter fé. Acho que de tudo o que eu pensei, vou só ensinar a oração de São Francisco pra ela. Isso eu consigo fazer, é simples o suficiente.

domingo, 6 de setembro de 2026

Insônia de Sempre

 Mais uma vez sem conseguir dormir, pensando nas voltas que o mundo dá. Quando uma pessoa decide ter filhos, ela deve entender plenamente, e realmente, que o trabalho nunca acaba e a adolescência nunca nos abandonará. Todos os conflitos de escola, acordar cedo, as tarefas e as tretas voltam pra você. Só que agora em outra posição: conselheiro. E agora? Temos que aconselhar alguém que não vai te escutar e vai fazer merda! E você que vai ter que limpar! Alguém sabe como se limpa esse lameiro?  Acho que poucas pessoas.

Realmente, durante maternidade e paternidade, você vai se encontrar com o espelho de você mesmo, mas que não é você. Mas que vai ter que trilhar o mesmo caminho, penoso e sofrido da vida. Sinceramente, nunca pensei que fosse ser mãe, não estava nos meus planos e, muito menos me casar. Apesar de sempre ter sido uma pessoa romântica e fazer o que todo mundo faz: preencher um vazio deixado pela criação dos nossos pais e dos nossos traumas. Segundo minhas observações, não há escapatória. Todo mundo tem um gatilho de alguma coisa, se essa pessoa não tem, ela vai ter em algum momento. A não ser almas iluminadas e raras, que já vieram com manual de instrução e/ou por milagre, conseguiram desviar das balas dos traumas.

Para se ter uma noção, eu sempre fui muito utópica nas minhas ideias, algumas caíram por terra, outras depois de muito apanhar, e o que era pra ficar, ficou. Eu tinha aquela ideia de que não queria ferir ninguém, o que é impossível, sempre vamos magoar e ser magoados. Mas eu tinha esse sonho. Era só sonho mesmo. Tentei não magoar e acabei magoando. Tenho muitas observações sobre as coisas que eu me lembro, e que somente refletem o meu ponto de vista, pois da mesma maneira que eu me apaixonava, eu tenho o dom de apagar a maioria do relacionamento da minha memória, como se as pessoas não tivesse existido. Guardo pra mim as coisas que aprendi sobre mim durante a relação e as coisas novas que me ensinaram. E traumas específicos que deixei de repetir. Ou pelo menos eu acho.

Mas, porém, contudo e todavia, aconselhar um alguém que é parte de você e não é você, é complicado. Porque agora chegamos na época dos namoradinhes, crushs, sexualidade etc. E eu tô meio ferrada, porque eu não tenho ferramentas, porque eu não tive nenhum conselho sobre isso quando foi a minha vez, exceto: namorar só com 15 anos, focar nos estudos e não pode ir. Não existia diálogo com meus pais, mas existia sentimento, pois a única lógica numa situação dessas era namorar escondido, obviamente. Muita coisa eu fiz escondido, sem contar pra ninguém, porque pela lógica da minha criação ou você era santa ou puta. Assim que eu estou no improviso. Não tem manual.

Hoje estamos numa época de bastante informação, é um buffet, só colocar no google e pesquisar, que aparece um monte de coisas. Mas eu prefiro um modo de coletar informação diferente, falo com as pessoas ao meu redor sobre a experiência delas com os filhos adolescentes, pra ter uma ideia geral do que fazer e do que não fazer. Minha conclusão: ninguém sabe o que tá fazendo. Não há conselho, somente se preparar para o impacto! E esperar pelo melhor em 20 anos! HAHAHAHA.

Diante dessa minha triste conclusão. Escolhi esse caminho de tentar ser a mãe que eu não tive. Mesmo sabendo que posso estar me equivocando. Todo mundo precisa de desafios, precisa de integridade, eu preso muito por isso. Aprendi que isso molda uma pessoa, nada é tão fácil na vida, a gente precisa criar uma armadura pra aguentar as coisas que estão fora do nosso controle. Também aprendi que é melhor andar num mundo sem máscaras, ser você mesmo e tentar não perder tanto de si para se encaixar. Perdi muito tempo tentando fazer isso. Eu quero defender minha filha, mas tenho que disciplinar também, pois cada ato tem uma consequência. Até mesmo os meus. 

Eu não sei o que ela vai se tornar. E eu tenho que diminuir minhas expectativas. Ela é outra pessoa, vai ter a vida dela. E eu não posso meter meu ego nisso, essa coisa de que meu filho é meu legado e tem que ser meu orgulho, é bem egoísta de se pensar. Mas mesmo assim a gente espera que seja motivo de orgulho. E ficamos tristes, e sentimos vergonha quando erram. E eu fiquei muito desapontada essa semana. Mas teve conversa e teve castigo. Controlei minha raiva e vontade de sumir, pois esse é o primeiro sentimento explosivo que eu herdei, ainda mais quando você deu o conselho que entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

Todo mundo está fingindo ser alguma coisa, ninguém sabe o que está fazendo, somente existe a prova e o resultado. Todo mundo só está vivendo pra ver no que dá, sem pensar nas consequências. Eu sei que ninguém vai vir me salvar, mas eu daria a minha vida pra salvar muita gente. E esse é só meu problema mesmo. Quem sabe agora que consiga dormir.


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Mais uma noite

 Bem-vindos a mais uma noite de insônia, involuntária, mas permanente. Cheguei do trabalho super cansada e dormi (olha que maravilha!), mas o honorável cônjuge desta que vos fala, inventou de colocar prateleiras no meio da noite! Pense no susto que me acordou! Agora, estou trabalhando no meu side job, em vez de acordar cedíssimo pra fazer as correções que eu tinha planejado. Agora vamos ver quando dormirei de novo, ou se o trabalha extra se encarregará do resto. 

30min depois....

Sim acho que vou conseguir dormir depois que terminei esse trabalho aqui.

sábado, 22 de agosto de 2026

Conversas imaginárias

 São 1:18 da manhã aqui em Phoenix, AZ. Não consigo dormir. Estava vendo um filme e dormi, depois acordei e agora não consigo regressar ao reino de Morpheus. Motivo da insônia: coisas que eu deveria escrever e não escrevi, num suposto livro que eu deveria publicar, só que nunca passou da minha imaginação e falta de organização, também baixa autoestima mesmo. Afinal, quem são as pessoas que leem? Alguém ainda compra? Nunca me esqueço dos vendedores de poesia a R$1,00 (real) no centro de São Luís, apesar de escrever, nunca tive a coragem que eles tinham. Tenho coragem agora, até que sim, mas tenho preguiça.

Na minha cabeça, sentar pra escrever um livro tem uma imagem muito bucólica. Uma janela com uma vista, uma xícara de café na mão e nenhuma preocupação com dinheiro (risos). Mas para a minha realidade, as noites com insônia parecem mais possíveis. As palavras voltaram a não me deixar dormir. Essa semana tive várias crises. Um dia consegui dormir somente às 5 da manhã, tive que faltar ao trabalho, porque não ia dar pra manejar meu dia. 

Dos diferentes temas que vem a mente para escrever são: as conversas que eu nunca tive na realidade, somente conversas que aparecem na minha mente com pessoas que não vejo há tempos, ou pessoas que convivem comigo atualmente. Por que meu cérebro faz isso? Não sei. Às vezes, parece que eu estou morrendo e só falando o que eu nunca falei. Será que é isso? Ou estou assombrando essas pessoas sem saber, mesmo estando viva?. Outra ideia de livro são as minhas histórias de amor, sobre as relações que eu tive e não deram certo, sobre o que elas me ensinaram e os traumas que eu sofri e pratiquei. Os primeiros episódios até soaram engraçados. Mas percebi que passei por muitas coisas pesadas, que eu não via por estar apaixonada, em busca do príncipe encantado que fosse me salvar. Se eu tivesse continuado com esse blog, vocês iriam me entender. Sim, meu eu de 40 anos julga minhas versões passadas. Não tem como, lua em virgem na casa 3 e ascendente gêmeos. Não tem como eu não me julgar. Tive uma conversa muito interessante com o chat do google, quando estava vendo os climas astrológicos e comparando com o meu mapa, o google me deu uma analise que eu fiquei pasma. Perdão aos astrólogos, não tenho dinheiro pra pagar leitura. Foi a única utilidade que eu achei pro chat de inteligência artificial. Agora me sinto culpada, contribuí pra destruição de mais um meio ambiente usando essa ferramenta imposta.

As ideias são boas, mas eu desvio do assunto demais. E o processo: escrever, revisar, reescrever. É brochante. Pelo menos pra mim. Também dentre as ideias, estão confissões de coisas criminosas até. A gente só vai vivendo e quando para para analisar o passado, a conclusão que veio: posso ser considerada criminosa! Olha o que amor me fez fazer. Realmente parceiros de crime! Melhor levar pro túmulo isso mesmo. Pequenos crimes, não se preocupem. Conclusão: se apaixonar é um perigo! Não façam isso! Mantenham-se na realidade, o que é muito difícil pras pessoas com vênus em peixes, como eu (risos). Eu tenho que passar pano pra mim, é meu blog. Futuramente também julgarei esse post. Pra minha sorte, a parte do amor incondicional terminava logo, quando as pessoas começavam a não atender os meus ideais, aí era hora de sair. Não é mesmo? Consegui sair. Conselho: não fiquem mais do que o necessário, saibam a hora de sair das relações. Em algumas, fiquei mais do que o necessário, em outras sai bem, em outras terminei mal. Com o tempo aprendi que o melhor é só sair mesmo. Reclamou e nada mudou, sai. Só sai, evita o drama. Agora que eu já passei por isso é mais fácil falar, mas quem sabe a sábia geração de agora escute esse conselho, por acaso, e resolve seguir? Já terei cumprido a minha função.

Esse texto acabou se tornando uma conversa imaginária. E quem sabe agora eu consiga dormir, e essas palavras, me deixem em paz.

PS: Perdi a chance de escrever outro poema que estava bem legal, mas não acordei rápido pra registrar e ele foi pra outro escritor. Quem sabe eu esbarre com ele em algum livro, mesmo não gostando de ler (risos).


Não consegui me segurar e dei minha opinião...

 Que tempos difíceis, principalmente nessa campanha de eleição que está ocorrendo no Brasil. Eu me sinto, como muita gente se sente, àquelas...