Que tempos difíceis, principalmente nessa campanha de eleição que está ocorrendo no Brasil. Eu me sinto, como muita gente se sente, àquelas pessoas que se lembram da aula de história no ensino médio, aflita. Eu nunca fui muito boa de história e minha memória é fraquíssima para lembrar corretamente dos fatos, mas de uma coisa eu consigo me lembrar bem: do sofrimento. De todo o sofrimento dessas pessoas que sofreram nas salas de tortura para que o nosso país finalmente passasse ser democrático. Isso me pegou e me marcou, como se eu mesma tivesse passado por isso, como uma memória de uma vida passada que retorna e percorre todo o meu corpo, é uma coisa inexplicável, essa minha capacidade de estar no lugar do outro e, como eu acredito em vidas passadas, devo ter passado por essa experiência também.
Quando eu era adolescente, três filmes me marcaram: o brasileiro Olga e os estrangeiros O pianista e O menino do pijama listrado. Houveram outros, mas esses me atravessaram profundamente. Justamente por contar as histórias da época do Nazismo. Eu não sei bem quem originou esse pensamento de merda, mas entendo que começou com a ideia da Eugenia, de uma raça pura, de uma busca equivocada pra se mostrar por A mais B a superioridade de uns sobre os outros. Ou seja, poder. Uma busca de legitimidade.
O meu querido cônjuge é bem diferente de mim, ele tem outra criação e vem de outra realidade, uma realidade chilena. A ditadura lá foi diferente da do Brasil, segundo a opinião dele, os militares deixaram o poder assim que estabilizaram o país, não ficaram sentados no trono pra sempre. A realidade da família dele é militar, seu avó e seu pai foram militares. E segundo ele. os militares ajudavam nas necessidades da população. Mas aí a gente tem a versão dos que foram perseguidos também, e que foram exilados, como Pablo Neruda. Tudo porque o fantasma do comunismo iria chegar... Esse movimento foi totalmente aniquilado e não funcionou como tal, e na minha opinião não funcionou porque as pessoas deixaram o poder subir às suas cabeças e se tornaram autoritários. Enquanto a população sofria, os líderes acumulavam as riquezas para si. Não vejo muita diferença para os dias de hoje. Aliás nem existe.
A China tem um grande controle da população através das câmeras e tecnologias, os EUA querem o mesmo, através dos sistemas de vigilância que estão invadindo a privacidade das pessoas e sendo usados para fins pessoais ao invés de resolver crimes. Enfim, criam nomes para dividir em vez de todos trabalharmos juntos para um mundo melhor, pois todos queremos as mesmas coisas: moradia, comida, trabalho, saneamento básico, saúde, educação e lazer. É só disso que a gente precisa! As demais coisas são causadas por problemas de caráter mesmo. Por isso tenho que adicionar segurança e justiça na minha lista, que eu quase esqueço.
Não sou tão ingênua de pensar que somente com a votação todos os problemas irão desaparecer. Mas a gente continua tentando, as gerações de hoje já estão melhor do que no passado. A gente já está mais tecnológico, só que as pessoas continuam investindo no consumo, em vez de investir em projetos que não destroem o planeta e envenenam a população. Todo mundo tá cansado, ninguém tem mais tempo para aproveitar sua família, estamos numa realidade que preferimos nos anestesiar. Mas não é fácil viver em sociedade, mesmo que um ou outro ganhe o povo tem que continuar indo às ruas implorar que não retirem os direitos que já conquistamos. O sonho que nos foi vendido de futuro, era um futuro com muito mais tempo de qualidade do que o que temos.
Somos uma espécie capaz de criar e, a cada dia que passa, a frase que eu escutei da minha professora na 4a série, faz ainda mais sentido: a destruição do homem é o próprio homem. E nada tem me convencido do contrário. As pessoas que chamamos indígenas são as pessoas mais evoluídas que já existiram. Conseguem produzir aquilo que necessitam sem poluir. Obviamente terminaremos como eles, se não pararmos os meios de produção. Os recursos são finitos, sempre soubemos disso. Agora a mãe natureza tá aí ensinando da forma mais dura, o que ninguém quis ouvir. Os ambientalistas não são cientistas loucos.
Assim que nomenclaturas, são só nomenclaturas, que podem ser mudadas com o tempo. No meu caso vou seguindo o que eu sinto, analisando o que eu escuto e vendo como ressoa dentro de mim. Me importo mais com as pessoas virtuosas, que realmente são honestas e boas quando não tem ninguém olhando. Que mesmo tendo o lado negativo dentro de si, refletem sobre si e decidem fazer o bem. Pois sempre haverá dentro de nós esse desejo de se "dar bem". Ninguém possui a verdade completa, mas se for do destino e as pessoas precisarem andar pra trás pra entender o significado de algumas coisas, que seja, mas a pandemia não ensinou ninguém, o que significa que a próxima lição pode ser ainda pior. E vai ser. O império americano está acabando, mais guerras e conflitos estão crescendo, a Palestina praticamente apagada do mapa, e ninguém! ninguém fez nada! Nenhum país! Assim que meus amigos aprendam com isso. É cada um por si.
Lembrem-se do Deus de Sodoma e Gomorra, exatamente as mesmas condições para punir toda a terra, com esse massacre da Palestina. Todos com rabo preso, vendo algo que deveria ser inconcebível! Deus mandou o filho dele pra ensinar e muitos não aprenderam nada! E no fim, quem sabe nem eu. Sinto muito para as pessoas, que como eu, ficam matutando demais. Eu não poderia ser diferente, mesmo se os conceitos de direita e esquerda estivessem ao revés, eu sempre seguiria meu coração e me preocuparia com o bem estar de todos, e sempre votaria por aquele que defende os fracos e oprimidos, porque eu sempre soube, que eu jamais serei completamente feliz enquanto o mundo inteiro não puder ser feliz também, enquanto todos não puderem ter melhores condições de vida. E eu sei que isso pode ser um pensamento ingênuo.