Mais uma vez sem conseguir dormir, pensando nas voltas que o mundo dá. Quando uma pessoa decide ter filhos, ela deve entender plenamente, e realmente, que o trabalho nunca acaba e a adolescência nunca nos abandonará. Todos os conflitos de escola, acordar cedo, as tarefas e as tretas voltam pra você. Só que agora em outra posição: conselheiro. E agora? Temos que aconselhar alguém que não vai te escutar e vai fazer merda! E você que vai ter que limpar! Alguém sabe como se limpa esse lameiro? Acho que poucas pessoas.
Realmente, durante maternidade e paternidade, você vai se encontrar com o espelho de você mesmo, mas que não é você. Mas que vai ter que trilhar o mesmo caminho, penoso e sofrido da vida. Sinceramente, nunca pensei que fosse ser mãe, não estava nos meus planos e, muito menos me casar. Apesar de sempre ter sido uma pessoa romântica e fazer o que todo mundo faz: preencher um vazio deixado pela criação dos nossos pais e dos nossos traumas. Segundo minhas observações, não há escapatória. Todo mundo tem um gatilho de alguma coisa, se essa pessoa não tem, ela vai ter em algum momento. A não ser almas iluminadas e raras, que já vieram com manual de instrução e/ou por milagre, conseguiram desviar das balas dos traumas.
Para se ter uma noção, eu sempre fui muito utópica nas minhas ideias, algumas caíram por terra, outras depois de muito apanhar, e o que era pra ficar, ficou. Eu tinha aquela ideia de que não queria ferir ninguém, o que é impossível, sempre vamos magoar e ser magoados. Mas eu tinha esse sonho. Era só sonho mesmo. Tentei não magoar e acabei magoando. Tenho muitas observações sobre as coisas que eu me lembro, e que somente refletem o meu ponto de vista, pois da mesma maneira que eu me apaixonava, eu tenho o dom de apagar a maioria do relacionamento da minha memória, como se as pessoas não tivesse existido. Guardo pra mim as coisas que aprendi sobre mim durante a relação e as coisas novas que me ensinaram. E traumas específicos que deixei de repetir. Ou pelo menos eu acho.
Mas, porém, contudo e todavia, aconselhar um alguém que é parte de você e não é você, é complicado. Porque agora chegamos na época dos namoradinhes, crushs, sexualidade etc. E eu tô meio ferrada, porque eu não tenho ferramentas, porque eu não tive nenhum conselho sobre isso quando foi a minha vez, exceto: namorar só com 15 anos, focar nos estudos e não pode ir. Não existia diálogo com meus pais, mas existia sentimento, pois a única lógica numa situação dessas era namorar escondido, obviamente. Muita coisa eu fiz escondido, sem contar pra ninguém, porque pela lógica da minha criação ou você era santa ou puta. Assim que eu estou no improviso. Não tem manual.
Hoje estamos numa época de bastante informação, é um buffet, só colocar no google e pesquisar, que aparece um monte de coisas. Mas eu prefiro um modo de coletar informação diferente, falo com as pessoas ao meu redor sobre a experiência delas com os filhos adolescentes, pra ter uma ideia geral do que fazer e do que não fazer. Minha conclusão: ninguém sabe o que tá fazendo. Não há conselho, somente se preparar para o impacto! E esperar pelo melhor em 20 anos! HAHAHAHA.
Diante dessa minha triste conclusão. Escolhi esse caminho de tentar ser a mãe que eu não tive. Mesmo sabendo que posso estar me equivocando. Todo mundo precisa de desafios, precisa de integridade, eu preso muito por isso. Aprendi que isso molda uma pessoa, nada é tão fácil na vida, a gente precisa criar uma armadura pra aguentar as coisas que estão fora do nosso controle. Também aprendi que é melhor andar num mundo sem máscaras, ser você mesmo e tentar não perder tanto de si para se encaixar. Perdi muito tempo tentando fazer isso. Eu quero defender minha filha, mas tenho que disciplinar também, pois cada ato tem uma consequência. Até mesmo os meus.
Eu não sei o que ela vai se tornar. E eu tenho que diminuir minhas expectativas. Ela é outra pessoa, vai ter a vida dela. E eu não posso meter meu ego nisso, essa coisa de que meu filho é meu legado e tem que ser meu orgulho, é bem egoísta de se pensar. Mas mesmo assim a gente espera que seja motivo de orgulho. E ficamos tristes, e sentimos vergonha quando erram. E eu fiquei muito desapontada essa semana. Mas teve conversa e teve castigo. Controlei minha raiva e vontade de sumir, pois esse é o primeiro sentimento explosivo que eu herdei, ainda mais quando você deu o conselho que entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Todo mundo está fingindo ser alguma coisa, ninguém sabe o que está fazendo, somente existe a prova e o resultado. Todo mundo só está vivendo pra ver no que dá, sem pensar nas consequências. Eu sei que ninguém vai vir me salvar, mas eu daria a minha vida pra salvar muita gente. E esse é só meu problema mesmo. Quem sabe agora que consiga dormir.
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