sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Postagem que a gente nunca espera ter que escrever

Estar longe da família e dos amigos é muito difícil, principalmente quando a gente não pode estar junto quando algo inesperado acontece.
Esses dias tenho andado muito triste, percebi que não era uma tristeza comum, era o tipo de sentimento que sempre senti quando estava prestes a receber alguma notícia muito ruim e como sempre ela veio...
Ontem, liguei meu celular pela manhã e recebo a mensagem da minha mãe, numa frase simples: "Oi minha filha, mamãe morreu". Simples assim, curta assim, demorei um tempo para pensar e processar o que tinha lido e não quis acreditar, a gente nunca está preparado.
A minha avó querida, minha segunda mãe, tinha falecido e eu não estava lá para o velório, para dar um último adeus, foi tudo muito rápido, recebi a mensagem e tentei falar com todo mundo, e todo mundo já tava no velório, não teve hospital, não teve IEML, à meia noite ela se entregou aos braços de Deus, era oito horas aqui em Phoenix, e às duas da tarde já estava sendo velada e iria ser sepultada, no horário brasileiro, não daria tempo pra voar até lá, não daria tempo de dar meu último adeus.
A única coisa que pude fazer foi chorar a minha dor, lembrar da sua voz, das conversas que tivemos, das vezes que sorrimos, dos anos que passamos juntas, do momento em que ela conheceu minha filha e da minha última despedida, antes de vir para cá, hoje faz um mês que cheguei aqui, se eu tivesse ficado mais um tempo, se eu tivesse adiado tudo poderia ter dado tempo de dizer adeus à minha avozinha querida. Agora são tantos SE.
Pelos menos tive a oportunidade de dizer o quanto a amava, o quanto a queria bem e ter uma pequena lembrança dela: uma toalhinha que ela me deu, toda simplesinha e me pedindo mil desculpas por não ser algo mais valioso.
Ah! minha avó querida, tu me ensinaste tanta coisa nessa vida, me ensinou a ter bom humor, me ensinou a amar sem medida, a perdoar sem medida e a confiar em dias melhores, a senhora nunca ganhou na loteria, mas me considero uma ganhadora por ter tido a senhora na minha vida e eu vou me lembrar todos os dias: "A distância me impede de te ver, mas nunca de te amar".
Eu te amo. Agora estás ao lado Pai e agora sei que estás em paz.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Coisas chatas

Senti vontade de dasabafar e por isso pensei neste post. Hoje não foi um dia legal para mim, não por coisas ruins, mas por realmente constatar o quanto é difícil fazer amigos pelas bandas de cá.
Aqui você pode conhecer pessoas, mas dificilmente vai conectar com elas, como é o meu caso, ou pode conseguir muitos amigos se você for uma pessoa diferente de mim.
Sou muito sensível e tímida, para eu conseguir uma amizade é muito raro, pois primeiro a pessoa deve transmitir uma energia de amizade, ou empatia, para que eu consiga me aproximar delas e isso tem sido bem difícil por aqui. Apesar de ter encontrado muitos brasileiros aqui, posso dizer que só fiz duas amizades, uma mudou-se e a outra pessoa mora muito longe, não conheço ninguém possa ser "meu vizinho" e na comunidade brasileira, pelo menos aqui em Phoenix, parece que todos já tem seus grupos formados e se conhecem há muitos anos.
Hoje conheci o lado competitivo de brasileiros e brasileiros, o que foi bem chato sentir, já que venho passando por muitos estresses ultimamente, algumas pessoas podem dizer que é sorte eu ter conseguido um "emprego", que na verdade consegui é um bico, como professora de português para estrangeiros, que pode dar certo ou não, já que só verei a cor do dinheiro se eu tiver alunos e isso pode variar bastante. Fora, que existem outros disputando o mesmo espaço que eu, daí o ar de competição durante o treinamento que tive hoje. Fiquei desapontada com o fato de no final, descobrir que um dos candidatos já tinha um aluno, o que deixou o clima bem estranho na hora em que a treinadora comentou, achei desnecessário já que pesou o clima e percebi que, entre eu e os outros professores, não haveria a menor chance de amizade, primeiro porque já estão aqui há mais tempo e segundo, porque estão mais interessados no emprego e não em fazer amizade, e muito menos, ajudar alguém que acabou de chegar aqui, praticamente agora, a se acomodar e se sentir bemvinda.
Muito chato relembrar que no mundo real, as pessoas querem passar uma por cima das outras, que não existe quase nenhuma boa vontade em ajudar, como no caso do problema com minha graduação em arquitetura que não saiu, porque foi extinta e eu tentei resolver o problema com antecedência, mas fui levada a acreditar que não seria um problema, já que fui levada a pensar que por ter a carga horária, o fato de não ter feito a cadeira não seria um problema. Agora imagina receber essa notícia no dia da sua colação?! Ainda bem que eu tinha deixado uma procuração, ainda bem que eu não estava lá de beca, cabelo arrumado e unhas feitas, para na hora da formatura, descobrir que depois de ter lutado tanto, batalhado tanto, deu tudo errado.
Eu tenho batalhado tanto para construir uma vida, que em dias como hoje, me fazem realizar e perceber que sou uma LOOSER e esse sentimento dói, e dói ainda mais em dias assim, que você percebe que o mundo realmente está aí para dar na sua cara. Uma vez quase chorei na secretaria de educação por encontrar pessoas que realmente queriam te ajudar, bem ali na repartição pública. Nesse dia a famosa frase: "Nem tudo está perdido". Veio à minha mente.
Eu sei que problemas vem e vão, a vida é assim. Espero que apesar de toda essa luta, esteja a minha frente uma boa oportunidade e essa eu não deixarei passar.
Boa noite a todos!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

De volta aos EUA

Como passou depressa! Já estou de volta aqui, a essa terra estranha mais uma vez.
Aconteceram tantas coisas  quando eu estava no Brasil, tantas coisas que ainda não foram resolvidas.
Estive tão atarefada estudando, mas meu desafio ainda não acabou, isso é desanimante, vamos pelos acontecimentos.
Fui para o Brasil com o objetivo de terminar meu curso de Arquitetura, já que tive que dar uma pausa para poder ter minha filha e esperar ela crescer um pouco. Concluir esta tarefa não foi fácil, principalmente quando você não tem um computador para usar, eu tenha meu computador capenga do Brasil que eu trouxe do Brasil aqui comigo, mas ele é um pouco problemático, tipo o carregador não pode ser mexido senão ele não carrega, sendo que o carregador original tinha pifado de vez, esse era o segundo, então fiz uma vaquinha com o meu emprego meia boca de intérprete remota e uma ajuda do marido e comprei um notebook novinho em folha, mas... quando cheguei no Brasil meu computador da Dell nada de funcionar direito a tela deu problema e logo o hd pifou, se bem que ele levou uma pequena queda, mas nada demais, então tive que usar o computador da minha querida irmã, mas claro que dividir não foi fácil já que ela também precisava.
A minha câmera fotográfica também deu defeito, mas para a minha surpresa quando meu marido trouxe para cá, ela voltou a funcionar perfeitamente!
Ainda bem que meu celular não quebrou, pois o anterior a ele parou de funcionar e graças ao dinheiro que juntei com a ajuda da minha mãe, consegui comprar um celular que tivesse tudo para que eu pudesse me comunicar e reportar todos os movimentos da minha filha para o meu marido, mas ele também tem uns probleminhas no carregador, esse é o Smartphone da Samsung Galaxy S2, está saindo de linha, mas até que é bonzinho.
Fora as dificuldades do computador para escrever minha mono, teve as dificuldades para a formatura, tive que deixar uma declaração para uma amiga, algo bem simples, mas até então na minha vida, nunca tinha experienciado  a desorganização que é a minha universidade, deixei a última semana para fazer isso, fiz a declaração, pedi meu histórico e no protocolo pediram que eu levasse um declaração do curso de que estava tudo ok, a declaração do meu curso consegui só na véspera da minha viagem, já que mais uma vez tive meu histórico analisado pois houve uma mudança de grades de disciplinas quando eu estava no meio do curso e tudo tinha que está ok. Eu sabia que havia um problema na correspondência das disciplinas, que isso poderia ser um problema, mas ninguém nunca me apresentou uma solução para uma das cadeiras que foram extintas e não tinham correspondência na grade nova.
Dito e feito, hoje eu deveria ter colado grau com minha procuração, e de repente eu recebo e-mail do curso dizendo que houve problema do meu histórico e que tem como ser resolvido, só terei que fazer um trabalho e eles colocarão as notas! Poxa, só agora que acharam essa solução! Todo esse tempo que sempre fui na coordenação para resolver meu problema e nada! Dá vontade de sentar e chorar. Mas enfim, vai dar tudo certo. Tem que dar certo!
Com toda essa correria na última semana, nem deu pra sentir a dor da partida, correndo pra resolver estes pepinos e no dia da partida, ainda mais um, quase perco meu voo! Eu estava com o horário que meu marido tinha me enviado, mas como ele é um caso a parte, foi inventar de checar os horários no dia de eu partir, quando conversava com ele, descobri que meu voo sairia às duas da tarde e não às cinco como eu tinha visto, por sorte estávamos online uns 50min antes do voo sair! Ou seja, tive que correr e xingar muito meu marido, sorte que moro uns 15min do aeroporto, disse tchau tão corrido, não deu tempo de chorar, mas quando lembro agora que tenho tempo, dá um aperto no coração.
Chegando aqui a correria ainda continuou, me adaptar a casa, me preparar para a visita dos meus sogros, aniversário de um ano para minha filha e uma entrevista de emprego com independent contractor.
Agora consegui sentar e descansar, minha filha tá dormindo e finalmente consertei meu laptop, estou mais sossegada e ainda tive que resolver isso quando cheguei, porque meu amado marido nem tchum pro meu computador quando chegou aqui.
Apesar de todas as coisas ruins, consegui o emprego, como vou ser uma free lancer, só vou dar aulas se a escola de línguas tiver alunos interessados em português, espero que eles tenham e finalmente, eu consiga me sustentar aqui sem depender tanto do marido, o que é muito chato! Ele não é sovina, nem nada, mas eu não me sinto bem em pedir, fazer o quê? Eu não gosto de pedir, mas se ele lembra de me dar, eu aceito de bom grado.

Por enquanto é isso pessoal, até a próxima.